Não sei se já aconteceu com você, mas mais de uma vez eu levei um carro sem problemas para a revisão e saí de lá com uma lista de ao menos 5 componentes que precisavam ser trocados sendo que o meu carro estava novo e não estava apresentando nenhum defeito. 

Eu não conseguia entender que peça era aquela, qual era a sua função e muito menos o que o carro deveria estar apresentando para justificar aquele problema. 

Mas quando comecei a fazer perguntas, o consultor da concessionária logo foi encerrando a conversa com uma sentença fatal: “dona: faça isso hoje, ou vai acabar sofrendo um acidente.” 

Você percebe alguma semelhança com a sensação de quando você sai de consulta médica que durou 10 ou 15 minutos e na qual você ouviu algo que não estava esperando? 

Da mesma forma que um mecânico pode supor que você entenda sobre os componentes que estão dentro do capô do seu carro, muito médico supõe que você entenda o que se passa no seu corpo. Ou pior; simplesmente não acha que você seja capaz de entender e não tem tempo para perder com esse tipo de conversa. 

Você sai pela porta do consultório cheio de papéis na mão, com pedidos de exames caros e que talvez sejam os mesmos que você já fez há muito pouco tempo. Com receita de remédios de uso contínuo que você nem sabe porque tem que tomar ou que há outras alternativas. Quando não muito, sai com um pedido de cirurgia para a próxima semana e nem sabe o porquê. 

Infelizmente há um incentivo perverso que premia o “ter que fazer alguma coisa” e menospreza o “está tudo bem, pode voltar daqui a 1 ano”.
Como consumidora eu prezo o profissional que não tem medo de adiar uma venda para a próxima vez, já que é possível e seguro esperar e sobretudo o profissional que é capaz de, além de explicar os seus motivos, tambem ouvir os meus. 

O exercício de se colocar no lugar do outro é fundamental.